
bom dia. quem vende tem pouco mais de cinco semanas até a Black Friday, e os dados desta semana mostram com clareza onde e quando a venda de novembro acontece: nos grandes marketplaces, de noite. dá pra usar isso a seu favor sem gastar um real a mais. você já sabe onde vai estar no 11.11?
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TERÇA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2026
NA CAIXA DE HOJE
O 11.11 vende muito, mas só pra quem está no lugar certo
TikTok Shop abre a Black Friday em uma semana
A Amazon entrou no YouTube Shopping
O CNPJ com letras que pode travar o seu emissor de nota
NA ESTEIRA
CAMADA PROFUNDA
O 11.11 vende muito. Só não vende pra todo mundo.
Nas datas duplas deste ano, os grandes marketplaces venderam 38,7% acima de um dia comum. O resto do e-commerce vendeu 0,7% abaixo.
O dado é de um estudo da Elo Performance & Insights, a área de dados da bandeira de cartão Elo, publicado no dia 8. Data dupla é o dia em que o número do dia repete o do mês: 9.9, 10.10, 11.11.
Em 2025, o ganho dos grandes marketplaces nessas datas tinha sido de 17,3%. Em um ano, mais que dobrou. E o ganho não se espalhou pelo resto do e-commerce.
O que o anúncio não diz: a data dupla parece uma festa do varejo inteiro, mas o efeito ficou nas grandes plataformas, as mesmas que anunciam cupom e frete grátis nessas datas. Três detalhes do estudo mudam a conta de quem vende:
A venda acontece de noite. Nos grandes marketplaces, as compras entre 18h e 23h ficam 47,5% acima do normal. Às 23h, chegam a 61,7%.
O cliente chega decidido. 72,6% de quem conhece as datas duplas já tinha interesse ou plano de compra, e 59,4% pesquisam e compram na mesma faixa de horário.
Frete grátis puxa mais que desconto. É o principal motivo declarado (31,7%), à frente de promoção (25,6%) e cupom (13,4%).
O contexto que falta: novembro deixou de ser um dia só. Em 2025, apenas 23,5% do faturamento do mês ficou nos quatro dias da Black Friday, segundo a Confi/Neotrust. Para este ano, a projeção é de R$ 3,17 bilhões só no 11.11, que cai numa quarta-feira.
O outro lado: a Elo mede compras com cartão, e o Pix pesa muito na loja pequena. E os dados da Melhor Envio, plataforma de frete usada por pequenos lojistas, mostram que o aumento de pedidos nessas datas vem principalmente de quem já vende com frequência.
Por que isso te afeta:
Se você vende no marketplace: a data funciona pra você, mas num horário e num formato bem específicos.
Se você tem loja própria: o 11.11 não vai trazer visita sozinho. Quem traz é a sua base.
Se você é creator afiliado: seu público compra de noite. O link precisa estar no ar antes.
O que fazer com isso:
Seller: escolha de 3 a 5 produtos que aguentam frete grátis sem zerar a margem e concentre neles a oferta-relâmpago (desconto que dura poucas horas) do 11.11, entre 18h e 23h. Confira hoje, na central do vendedor, o prazo de inscrição da campanha: ele fecha antes da data.
Loja própria: no fim da tarde do dia 11, avise sua lista de e-mail, seu WhatsApp e seus stories, com frete grátis como argumento principal
Creator: publique o conteúdo do 11.11 até as 18h e deixe o link fixado.
A data favorece as grandes plataformas. O horário vale pra todo mundo.
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FORA DA CAIXA

Às 23h de uma terça-feira de novembro, alguém tira o tênis sem desamarrar, encosta o celular de tela trincada no travesseiro e finalmente compra a panela de pressão que estava olhando desde domingo. Não é impulso. O dinheiro estava separado desde o dia 5, a dúvida foi resolvida no ônibus, entre uma estação e outra, lendo avaliações de gente que ela nunca vai conhecer. Faltava só o frete, e o frete agora é grátis. Faltava, sobretudo, uma hora do dia que fosse dela.
Do outro lado da tela, numa cozinha em qualquer canto do Brasil, um homem que também trabalhou o dia inteiro, em outro emprego, abre o painel do vendedor e responde à pergunta sobre o tamanho da tampa. Embala na mesa de jantar, imprime a etiqueta numa impressora térmica comprada em doze vezes e deixa a caixa perto da porta para não esquecer de manhã. Os relatórios chamam esse encontro de pico de conversão noturno. Segundo estudo da Elo Performance & Insights publicado em 8 de outubro, nas datas duplas as compras às 23h nos grandes marketplaces chegam a 61,7% acima de um dia comum. Eu leio esse número e vejo duas pessoas cansadas.
Durante muito tempo, o comércio brasileiro funcionou no horário de quem podia sair no meio da tarde. A loja fechava às 18h, exatamente quando quem bate ponto conseguia chegar. O crediário existia para quem não podia pagar à vista; o horário comercial, para quem não precisava pedir licença ao chefe. A internet não acabou com essa distância, mas desmontou o relógio dela. A vitrine agora fica acesa quando a pessoa chega em casa. E o segurança que seguia certos clientes entre as prateleiras não tem como seguir ninguém às 23h, dentro de um aplicativo.
O mercado trata esse horário como oportunidade, e ele é. Quem vende deve deixar a oferta no ar, responder rápido, ter estoque na hora em que a decisão acontece. Mas eu não consigo olhar para esse gráfico sem lembrar quem está nas duas pontas dele. A plataforma cobra a comissão a qualquer hora. A pessoa que compra e a pessoa que vende só têm essa.
O comércio digital brasileiro acontece no horário em que o Brasil que trabalha consegue, enfim, ser cliente. E em que outro Brasil que trabalha ainda está vendendo. Os dois estão acordados.
O RADAR: YOUTUBE SHOP
A Amazon entrou no programa de afiliados (Central do Varejo, 25/09/2026). Creators qualificados agora marcam produtos nacionais e internacionais da Amazon.com.br em vídeos longos, Shorts e lives. Pra creator: é o terceiro catálogo disponível, ao lado de Mercado Livre e Shopee, e vale comparar a comissão de cada um antes de escolher o link. Pra seller: quem vende na Amazon ganha mais um canal de vídeo apontando para o produto.
O vídeo de creator também foi parar dentro da Amazon. O novo Shopping Videos mostra vídeos de criadores na página inicial, na confirmação de compra e numa página dedicada, e os vídeos mudam conforme o produto buscado. Pra seller: review em vídeo passa a fazer parte da vitrine. Pra creator: o conteúdo ganha exibição fora do YouTube.
40% dos creators elegíveis já ativaram o programa em menos de um ano, segundo o YouTube (Meio & Mensagem). Ou seja, a maioria dos canais que poderia usar ainda não usa.
Onde ativar: no YouTube Studio, pelo computador, em Monetização e depois em Compras (TecMundo). Lá aparece a lista de vendedores e as comissões oferecidas.
O tamanho da vitrine: o YouTube tem 130 milhões de usuários mensais no Brasil, e o consumo de conteúdo ligado a compras cresceu mais de 120% em 2026, segundo a Amazon. Número de parte interessada, mas aponta a direção.
O número
23,5%
É a fatia do faturamento de novembro de 2025 que ficou nos quatro dias da Black Friday, segundo a Confi/Neotrust (Meio & Mensagem, 13/10/2026). O mês inteiro movimentou R$ 46,98 bilhões; três quartos disso aconteceram fora da sexta-feira famosa.
Leitura crítica: é a média do mercado inteiro, puxada pelos grandes. A sua loja pode ser bem diferente.
Como usar: some suas vendas de novembro passado e veja quanto caiu entre a quinta e o domingo da Black Friday. Se for muito mais que um quarto, sua operação depende de quatro dias, e vale espalhar ofertas pelas outras datas do mês.
Veio Junto
Plataforma Internacional Shopee
O que resolve: vender para Argentina e México sem montar logística internacional. Quando chega um pedido de fora, você só prepara o produto para a coleta. A Shopee cuida do transporte, da entrega, do desembaraço aduaneiro (a liberação na alfândega) e do atendimento ao cliente.
Quanto custa: sem custo adicional na plataforma, segundo a Shopee.
Quem pode usar: o programa saiu da fase de testes, em que 19 mil vendedores anunciaram mais de 1,4 milhão de produtos, e foi aberto para mais de 150 mil vendedores brasileiros.
Limitação: só dois países por enquanto, e a Shopee não detalhou publicamente os critérios de entrada.
Caixa Fechada
Por hoje é isso. caixa fechada. A próxima tá chegando aí.
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